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Uma estrangeira numa terra estranha perdida no meio do mar.

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Andava a vagar, de porto em porto, buscando um lar, ou qualquer coisa que pudesse lhe dar a sensação de estar de novo em casa, ou quem sabe ser a própria casa. Vagava feito cachorro de rua, que cheira todos os postes mas não para em nenhum. Sentia que a sua casa poderia ser qualquer um, mas ao se aproximar descobria que estava longe de ser. Sentia carência, mas não se entregava. Sentia saudade, mas não ligava. Sentia amor, mas nunca demonstrava. A aparência enganava, e muitas vezes foi taxada de ter no peito um coração frio e gelado. Até poderia estar, mas nem sempre foi assim. Era mais medo de se machucar de novo do que qualquer outra coisa. E com tanta interpretação errada, parou de argumentar. Aceitou e fim. Talvez não fosse a hora. Talvez não estivesse pronta ainda. Quem sabe se um dia estaria? Não sei. Só sei que quando ela olha pro céu os olhos dela voltam a brilhar como antes. Antes de toda a dor, sabe? Quando ela olha pro céu ela sabe que existe um porto para ela se acomod...

Bem leve

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Que tempo bem bom quando podíamos nos esconder dentro de casa. Hoje em dia é preciso fugir de casa para poder se esconder. Lugar que não pega sinal é praticamente um retiro espiritual. Eu gosto, e não é pouco. O offline torna a minha vida mais simples, mais leve e totalmente real. Passar horas lendo, observando o mundo, molhando os pés, pegando sol, meditando, respirando, simplesmente me preenchendo daquilo que me faz bem. E quanta ironia em precisar desconectar para conseguir conectar aquilo que realmente importa.  Um brinde às boas conexões que a vida faz!

Antes o atrito que o contrato

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Fazendo jus ao nome do blog, começo a subir a montanha-russa de novo. Bem devagar, fazendo a maior barulheira de ferro se batendo (poderia chamar de armadura?), criando a maior tensão. Não quero calcular quanto tempo falta até chegar aqueles três milissegundos de completa paz, exatamente antes de despencar e aumentar a velocidade e aí perder o controle de absolutamente tudo.  Não lembro a primeira vez que andei de montanha-russa, mas sempre foi o meu favorito. A sensação de flutuar, ou perder o estômago, ou frio na barriga é a melhor sensação que existe. Nunca andava uma única vez, sempre queria repetir.  E cá estou eu, sentadinha no carrinho, ouvindo a barulheira e de quebra aproveitando a paisagem. Quanto tempo vou subir? Não faço nem ideia, mas sinceramente, estou nem aí.  "Quero no escuro Como um cego tatear Estrelas distraídas... Amoras silvestres No passeio público Amores secretos Debaixo dos guarda-chuvas Tempestades que não param Pára-...

Supernova

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Deveria ser minha forma de interagir com o mundo, de colocar para fora a dor que sinto aqui dentro, mas escrever virou um peso e acho que não estou superando as minhas expectativas. Aliás, já não supero minhas expectativas há tanto tempo, que minha vida se tornou um ir e vir frustrante e reprimido. A dor que carrego no peito não é mais emocional, é dor física. Uma dor que atesta que já amei, mas que comprova que já acabou. E não amar mais, as vezes causa mais sofrimento do que amar.  Amor vicia, nos apaixonamos por estarmos apaixonados , por quem nos tornamos quando estamos apaixonados, por acharmos que podemos ir até o inferno vinte vezes só porque somos muito corajosos e amamos. Nada feito, você vai ir até o inferno cem vezes e cansará! Não vai se achar corajoso na centésima primeira vez... Pelo contrário, vai se achar um idiota perfeito. Pra desamar só conheço um remédio: abstinência . Abstinência da pessoa, dos sentimentos, abstinência de lembranças, cheiros, abraços...